Aporte exigido dos gestores de FIPs é alto

Edição 19

Esta edição de Investidor Institucional RPPS, que circula no bimestre janeiro/fevereiro, traz reportagem com o vice-presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), Francisco Sanchez Neto, falando sobre as restrições que as novas regras de investimento dos RPPS impuseram às alocações nessa classe de ativos. Em geral ele concorda com a maioria dessas restrições, mas faz ressalva a uma delas que estabelece a obrigatoriedade do gestor invistir pelo menos 5% de capital próprio no fundo. Segundo Sanchez Neto, que é também presidente da Lions Trust, uma administradora especializada em fundos de private equity, essa exigência pode deixar muitos gestores relevantes, do ponto de vista da consistência dos resultados, de fora da seleção dos RPPS. A Abvcap, revela ele, já encaminhou ofício à Secretaria de Previdência solicitando baixar esse limite para 1% do valor do fundo.
Além dessa conversa com o representante da Abvcap, também falamos nesta edição com vários gestores de recursos sobre as expectativas deles em relação ao mercado de investimentos neste ano. Eles acham que os dirigentes de entidades previdenciárias, que precisam planejar seus investimentos pensando no longo prazo, vão necessariamente buscar mais risco, reduzindo a participação de títulos públicos nas carteiras e alocando mais em fundos de crédito, de ações e multimercados, além de alguns estruturados (apesar das dificuldades criadas pelas novas regras para fazer esses investimentos).
As análises dos gestores é corroborada pelos dirigentes dos regimes próprios entrevistados para esta edição, que contaram estar tomando mais risco em suas carteiras e investindo em fundos de crédito privado, fundos de ações e até multimercados e estruturados.

Mais risco nas carteiras

Edição 18

A queda das taxas de juros, que começou há pouco mais de um ano e atingiu a marca de 7,5% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), representa um desafio e tanto para os dirigentes de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Quando os títulos públicos de longo prazo pagavam a meta atuarial com folga, como pagavam tranquilamente até o ano passado, os institutos não tinham muitas dúvidas sobre que tipo de ativos deveriam colocar em seus portfólios: fundos recheados de títulos públicos, é claro!
Mas a realidade está mudando. Com a Selic a 7,5% ao ano, um rendimento que representaria algo como 4 a 4,5% em termos reais, já descontada uma inflação de 3 a 3,5% projetada para este ano, podemos dizer que a zona de conforto dos institutos ficou definitivamente para trás. Afinal, a meta atuarial que eles tem que obter é de 6% ao ano. Claro que os institutos ainda carregam na carteira títulos longos, comprados nos bons tempos da Selic a mais de 15% ao ano, mas os dirigentes estão bem conscientes de que esses títulos não serão renovados nas mesmas condições no vencimento, então terão que buscar outras opções para garantir a meta atuarial.
Fundos multimercados, fundos de ações, FIPs, FIDCs e fundos imobiliários são algumas das opções que começam a aparecer no horizonte dos RPPS como alternativas para rentabilizar as carteiras. Claro que essas alternativas representam um risco adicional, mas se bem planejadas, contando com boa assessoria, a política de adicionar risco às carteiras pode valer a pena. Até porque agora isso não é uma opção, é quase obrigação

Ranking de gestores e FIDCs nesta edição

Edição 17

No início deste ano publicamos pela primeira vez o ranking dos gestores de recursos de RPPS, levantamento que teve grande repercussão entre os institutos previdenciários pois até então ninguém tinha idéia da posição relativa dos gestores nesse mercado. Claro que se conhecia bem os maiores gestores, por exemplo que Caixa era o maior e BB DTVM vinha logo a seguir, mas pouco se conhecia dos gestores que vinham a seguir. Com o levantamento de Investidor Institucional RPPS as posições começaram a ficar mais claras, principalmente para as médias e as pequenas assets.
Agora, publicamos a segunda edição do ranking, com posição dos gestores na data de 30 de junho de 2017. Segundo esse levantamento, os RPPS possuem R$ 132 bilhões em recursos terceirizados, representando crescimento de 10,98% em seis meses de 2017 e de 15,32% em doze meses. São 54 gestores que participam do ranking, sendo realmente a Caixa o maior, com R$ R$ 57,71 bilhões, e a BB DTVM o segundo, com 51,59 bilhões. Da terceira à sexta posição os gestores estão num pelotão bem distante, entre R$ 2 bilhões e R$ 7 bilhões. A partir da sétima posição ele tem menos de R$ 1 bilhão. Confira a partir da página 12.
Além disso, essa edição também traz um acompanhamento da movimentação em torno das mudanças da Resolução 3.922, que regula os investimentos dos RPPS. Enquanto a subsecretaria de RPPS quer excluir os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) do portfólio dos institutos, consultorias e gestores tentam manter esse veículo dentro da legislação. A partir da página 17 contamos os bastidores dessa contenda. Boa leitura a todos.

Uma postura nova e muito positiva

Edição 16

A proposta lançada pela Subsecretaria de Previdência no sentido de modificar a Resolução 3922, que entre outras coisas proíbe investimentos dos RPPS em FIPs e FIDCs abertos e reduz o percentual para alocações em FIDCs fechados, foi recebida com severas críticas por parte de entidades representativas dos regimes próprios e de empresas que atuam nesse segmento. Numa reunião convocada pela Acinprev, a associação que reúne consultorias financeira e atuarial aos RPPS, foi criado o Movimento pela Previdência Sustentável (MPS) que elaborou um manifesto criticando as propostas e também a falta de diálogo por parte da subsecretaria.
Assinado por quase 50 empresas das áreas de consultoria financeira, atuarial e jurídica, além de gestores, administradores e distribuidores de investimento, o manifesto rapidamente foi difundido e as lideranças do MPS conseguiram uma audiência com o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, que mostrou-se surpreso com as propostas restritivas aos investimentos dos RPPS. Até porque, para ele, grande parte dos recursos para investimento em obras de infraestrutura que o governo pretende tocar devem vir de produtos estruturados colocados junto à entidades previdenciárias, como os fundos de pensão e RPPS.
Ao mesmo tempo em que crescia o MPS, e provavelmente em decorrência da repercussão que as críticas do movimento conseguiram, a Subsecretaria de Previdência afirmou à repórter Bruna Chieco, desta revista, que poderia flexibilizar as mudanças e permitir o investimento em FIPs, dentro de certas regras a serem criadas.
É uma postura nova e muito positiva da Subsecretaria, de ver os agentes de investimento não como inimigos mas como parceiros, com os quais é necessário dialogar em busca sempre das melhores soluções para os problemas do sistema dos regimes próprios.

Tempos de incerteza geral

Edição 15

A crise política deflagrada pela delação de Wesley Batista, um dos principais acionistas do grupo J&F que gravou conversas impróprias suas com o presidente Michel Temer, causou uma incerteza geral no mercado de investimentos. Incerteza em relação à continuidade das reformas trabalhista e da Previdência; incerteza em relação à duração do mandato presidencial, que pode ser encurtado pelo Supremo Tribunal Federal se a Câmara dos Deputados der autorização para um processo contra Temer; e incerteza em relação à quem assumirá a presidência, no caso de uma condenação de Temer pelo STF, e que valores políticos defenderá. Enfim, com incertezas dessa natureza, nada mais natural para os agentes de investimento que suspenderem todas as decisões. É o que está acontecendo.
Nesta edição abordamos esse tema, mostrando como os RPPS interromperam suas políticas de diversificação de investimentos, que tinham iniciado no começo do ano ao perceberem que a queda das taxas de juros, caminhando pari passo com a queda das taxas de inflação, era consistente. Na incerteza, interromperam a diversificação e mantiveram os ativos em NTNBs.
Esta edição de iiRPPS também mostra como agem os dirigentes dos RPPS estaduais, que para fazer frente ao déficit público de seus estados, estão tendo que elevar as alíquotas previdenciárias. Embora tenham consciência que isso, por si só, não irá resolver o problema, estão conseguindo que as Câmaras Estaduais aprovem leis nesse sentido, pois pelo menos reduzem o tamanho do problema.

Uma grande iniciativa

Edição 14

Os RPPS têm, tradicionalmente, alocado volume significativo de seus recursos em fundos FIDCs que, em várias situações e envolvendo diversos gestores, acabaram causando prejuízos vultosos para suas carteiras. Fundos dos bancos Santos, Panamericano, Cruzeiro do Sul, Morada e BVA, entre outros, foram colocados nas carteiras de muitos RPSS e depois que quebram, recuperar o prejuízo mostrou-se muito difícil e em alguns casos simplesmente impossível.
Obviamente não foram apenas os RPPS que investiram nos fundos desses bancos, muitos outros investidores também aplicaram e também perderam. Mas, para os RPPS a situação é pior, pois os recursos não são próprios, são de funcionários públicos e destinados a custear suas aposentadorias futuras.
Agora, a Anbima e a Anfidic, duas associações que representam as gestoras de recursos e os emissores de FIDCs, respectivamente, estão unindo forças para criar algumas normas e procedimentos básicos que tornem os investimentos nessa classe de fundos mais seguras. Partem inicialmente de um manual de boa conduta, muito útil para todo tipo de investidor, e seguem sugerindo normas e procedimentos a serem seguidos pelos gestores na criação desses fundos.
É uma iniciativa muito positiva e deve receber todo o respaldo do mercado. Afinal, não podemos correr o risco de ver se repetirem situações anômalas e próprias de um mercado degenerado, quando a quebra dos bancos acima citados desvendou que os fundos que venderam ao público eram simplesmente fraudulentos e criminosos. A reportagem de iiRPPS, que começa na página 27 e vai até a página 30, trata desse tema. Boa leitura.