BTG Pactual contrata Eduardo Guardia para comandar asset

O BTG Pactual anunciou nesta sexta-feira, 15 de fevereiro, o ex-ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, como o novo sócio e CEO da BTG Pactual Asset Management.Ele assumirá as suas novas funções em 1º de julho de 2019. Steve Jacobs continuará atuando como CEO da gestora até julho, quando passará a exercer a função de Chairman da BTG Pactual Asset Management, sendo o responsável, ainda, pelos investimentos internacionais do Grupo BTG Pactual. A BTG Pactual Asset Management tem R$ 184 bilhões sob gestão.

"Eduardo Guardia tem uma trajetória de muito sucesso nos setores público e privado e reconhecida liderança com experiência única em áreas como economia, investimentos e gestão", disse Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, em comunicado. "Ele tem uma excelente relação com os investidores mais importantes da América Latina, e agregará muito valor ao nosso time de Asset Management", completou.

"O BTG Pactual continua demonstrando seu compromisso de ser o banco de investimento líder na América Latina, com relacionamentos de longo prazo com seus clientes e presença local nos principais países da região", afirmou Guardia.

Eduardo Guardia foi ministro da Fazenda do Brasil em 2018, secretário-executivo do mesmo ministério entre 2016 e 2018, secretário do Tesouro Nacional em 2002, além de secretário de Fazenda do Estado de São Paulo, entre 2003 e 2006. Guardia foi ainda diretor executivo da B3 (ex-BM&FBovespa) e diretor Financeiro e de Relações com Investidores da gestora GP Investments. Guardia é doutor em Economia pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP).

No dia 11 de fevereiro o BTG Pactual já havia anunciado outro reforço de peso para sua gestora com a chegada de Will Landers, que esteve nos últimos 17 anos na BlackRock, para chefiar a área de renda variável.

Grandes fundações se solidarizam com vítimas e cobram Vale por Brumadinho

Os grandes fundos de pensão, que detêm participação acionária na Vale, divulgaram comunicados prestando solidariedade às vítimas e familiares do acidente em Brumadinho, e cobrando medidas por parte da mineradora. “Como acionistas da Vale, estamos nos certificando de que a companhia está dando todo o suporte possível para os atingidos, bem como adotará providências para apurar os motivos do acidente”, escreveu a Previ.

“A Petros está consternada frente à tragédia ocorrida em Brumadinho, Minas Gerais. Cabe, nesse primeiro momento, como acionistas da Vale, e através dela, atuar nas buscas e no atendimento às vítimas”, diz o comunicado do fundo de pensão da Petrobras, que informa ainda que a EFPC demanda que a mineradora realize uma rigorosa apuração dos fatos que levaram ao rompimento da barragem, com consequente e necessária penalização exemplar dos responsáveis.

“A Petros reforça seu engajamento e compromisso com os critérios ambiental, social e de governança (ASG), o que mais uma vez se comprova como fundamental na busca de preservação de valor dos seus investimentos. As empresas nas quais investimos devem demonstrar para a sociedade as ações que realizam para mitigar tais riscos, bem como apresentar planos de aprimoramento para sua atuação, de forma transparente, sempre que deficiências sejam identificadas”, complementa a Petros.

A Funcef, por sua vez, escreveu que, na condição de acionista indireta da Vale, vem acompanhando atentamente as ações realizadas pela companhia até o momento. “Nosso compromisso é garantir que os atingidos recebam todo o suporte necessário e que os motivos do acidente sejam apurados com a máxima transparência”.

Já a Funcesp, também investidora da Vale, afirma em comunicado que, por defender incondicionalmente em seus investimentos os princípios de boa governança, de defesa do meio ambiente e de respeito à sociedade em que se insere, demanda à Vale total apoio às vítimas e suas famílias e reitera a necessidade de rigorosa apuração das responsabilidades, aplicação das devidas medidas punitivas e a adoção de procedimentos preventivos, de modo a minimizar ao máximo o risco de novas ocorrências desse tipo.

“Como signatária do PRI (Princípios para Investimentos Responsáveis) e aderente ao Código de Stewardship da Amec a Funcesp entende ser seu dever fiduciário cobrar uma gestão responsável das empresas nas quais investe, o que é fundamental para a preservação de seus investimentos e do bem-estar da sociedade. Por isso, informa seus participantes que acompanhará diligentemente os desdobramentos da tragédia e estará atenta às condutas adotadas pela empresa para minimizar seus efeitos e evitar novas ocorrências”.

“A Valia lamenta profundamente a tragédia ocorrida com o rompimento da barragem em Brumadinho. Dedicamos toda nossa solidariedade às vítimas e a seus familiares. Estamos em prontidão para apoiar a todos da melhor forma que pudermos”, diz a Valia.

Western Asset seleciona novo administrador de fundos após restrições de Resolução

FosterMarcWesternA  Western Asset, gestora que atua junto aos regimes próprios de previdência social (RPPS), está em processo de seleção de administrador fiduciário para os fundos voltados a esse público. Com isso a Western, que até agora fazia a administração internamente, busca se enquadrar às regras da Resolução 4.695 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que aumentou as exigências para essa atividade.

XP prepara lançamento de “carteira sugerida” para RPPS, com simulações e comparações de fundos

xpA XP Investimentos prepara um novo serviço para o segmento dos RPPS, através da plataforma eletrônica XP RPPS que há dois anos já atua voltada especificamente a esse segmento. Trata-se da “carteira sugerida”, que fará simulações de investimentos e comparações de desempenho com os seus portfólios.

Funpresp-Jud seleciona administradores de fundos exclusivos e abertos

A Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Judiciário (Funpresp-Jud) iniciou processo de licitação e de credenciamento de novos administradores de fundos. Serão selecionados, por meio de licitação, quatro administradores para constituição de fundos exclusivos com foco principal em renda fixa, sendo que três deles terão a gestão terceirizada e um será gerido internamente. Já no processo de credenciamento, os administradores selecionados trabalharão com fundos abertos, podendo ser até nove fundos de renda variável, nove multimercados estruturados e 15 fundos de investimento no exterior.

De acordo com o diretor de investimentos da Funpresp-Jud, Ronnie Tavares, o objetivo desse processo de seleção é diversificar a quantidade de gestores com os quais a fundação atua no momento. Até então, apenas Caixa Econômica e Banco do Brasil podem fazer a administração dos fundos da entidade, sendo que nenhum dos fundos é exclusivo. “Até esse momento, não valeria a pena investir em fundos exclusivos por conta do tamanho do nosso patrimônio, pois o ideal é iniciar a aplicação nesses fundos com um volume a partir de R$ 40 milhões. Tivemos que esperar chegar em um volume de patrimônio ideal, que é o de R$ 200 milhões, para fazer esse processo, e alcançamos esse patrimônio em maio deste ano”, explica Tavares.

 

Fundos - Os fundos exclusivos a serem selecionados pela entidade serão na categoria multimercado, com foco principal no segmento de renda fixa, que deterá, no mínimo, 90% dos recursos, tendo ainda secundariamente renda variável com, no máximo, 10% dos recursos. Os administradores desses fundos devem ter, no máximo, 20% dos recursos e a estimativa da entidade é que sejam aplicados R$ 40 milhões em cada um.

Já os fundos abertos serão escolhidos dentro das categorias de renda variável, estruturado via multimercado e investimento no exterior. Cada um desses segmentos pode deter até 10% do patrimônio da fundação. “Para cada um desses segmentos, trabalharemos com três subgrupos, de acordo com a classificação da Anbima, sendo que os fundos no exterior poderão ser subdivididos em até cinco grupos”, explica Ronnie Tavares.

Cada um dos subgrupos terá estratégias diferentes, sendo que no grupo de renda variável, poderão ser selecionados fundos de ações dividendos; ações valor/crescimento; e ações indexados. Na categoria de fundos de investimento classificados como multimercado, os subgrupos são multimercado macro/balanceado; multimercado livre/dinâmico/trading; multimercado juros e moeda. E para os fundos de investimento no exterior, poderão ser selecionados ações BDR Nível 1; ações MSCI World; ações S&P 500; multimercado exterior; e renda fixa investimento no exterior.

Os investimentos serão alocados ao longo do tempo nessas subdivisões, conforme a fundação for ganhando mais musculatura e seu patrimônio tiver crescimento. “Essa regra pode durar até 5 anos”, explica Tavares, dizendo que a estimativa é que o patrimônio da entidade alcance o volume de R$ 1 bilhão em 2021, aumentando as possibilidades de diversificação dentro dessas categorias de fundos.

Mudanças propostas pela CVM impactam as estratégias dos gestores de fundos voltados a RPPS

Daniel SandovalA proposta da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que pretende limitar a participação dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) a 15% nos fundos com ativos de oferta 476, como debêntures não conversíveis e letras financeiras, deve afetar alguns gestores que atuam neste mercado. É o caso da Horus GGR, que opera com esse tipo de oferta restrita mas está deixando de oferecer novos produtos aos RPPS até que se tenha maiores definições de como ficarão as normas impostas pela CVM, e também da Caixa, que está abrindo mão de oferecer aos RPPS produtos que hoje oferece à sua grade de investidores pessoas físicas. Outras como a Austro e a Arx informaram que já não trabalham com esse tipo de oferta, por isso a mudança não impactará sua atuação junto aos RPPS. 

 

“Vemos a essência do que está sendo proposto pela CVM com bons olhos, mas a forma como isso está sendo feito talvez não seja a mais adequada para atingir o que o regulador está buscando, que é tratar o RPPS como qualquer outro investidor”, diz o diretor jurídico da Horus GGR, Bruno Burilli.

De acordo com Burilli, “se a norma for aprovada como foi submetida à audiência pública, deve gerar uma segregação. Por exemplo, os papéis de projetos de desenvolvimento imobiliário, na sua grande maioria, são colocados a mercado através da oferta 476, por ser mais célere do que registrar uma oferta 400”, explica Burilli. Ele destaca que alguns fundos acabam sendo inviabilizados de ter bons papéis.

Além disso, o diretor jurídico da Horus GGR aponta que a minuta da CVM deixa em aberto a forma de penalização de gestores e administradores no caso de não observância. das normas. “O texto não tem um rol taxativo de quais condutas seriam passíveis de punição, o que gera uma insegurança jurídica para quem atende a esse público, pois toda e qualquer conduta estaria passível de penalização”, ressalta Burilli. “Por isso, nossa posição interna é não colocar novos produtos nesse mercado. Não sabemos se é uma medida definitiva, mas dada a insegurança jurídica não queremos ficar expostos a captação de recursos”, complementa.

Os fundos que a Horus GGR já oferece aos regimes próprios não sofrem alterações, mas segundo Burilli, eles não passarão por um processo de crescimento em termos de captação. “Os regimes próprios são uma parcela de nossos clientes, mas não a mais relevante. Nossos clientes são, em maioria, pessoas físicas. Nossa tendência é observar como o regulador vai se comportar para tomar a decisão se voltaremos ou não a oferecer produtos para esse público”, destaca.

 

Ruim para os RPPS - Na visão da Caixa Econômica Federal, que possui um portfólio de mais de 40 fundos para atender a cerca de 1,8 mil regimes de previdência , a norma que a CVM pretende emplacar junto à Secretaria de Previdência atrapalha mais os RPPS, que ficam limitados em relação a fundos que poderiam ser alvo de maior diversificação. “A imposição de regras específicas força a indústria a destinar esforços para criar produtos específicos para RPPS, impedindo esses investidores de entrarem em fundos com perfis mais diversificados”, diz o gerente nacional de investidores corporativos da Caixa, Daniel Sandoval.

Ele destaca que as restrições prejudicam o investidor, por limitar o portfólio de produtos, e também o gestor, pois o alcance das alocações fica restrita. “Se eu aloco em instrumentos com rentabilidade maior tenho que limitar o acesso de RPPS, e se deixo o RPPS entrar tenho que renunciar a alocar os recursos de maneira mais eficiente. Essa é a escolha que o gestor terá que fazer”, complementa o executivo.

Segundo a Caixa, os produtos que já estão no mercado não sofrerão impacto, mas há uma grade de produtos destinada a pessoas físicas que poderia ser direcionada aos regimes próprios, o que não deve ocorrer. “Tínhamos essa perspectiva de ampliar a oferta de produtos, pois achamos que faz sentido dentro das carteiras dos RPPS, mas agora se quiser oferecer esses produtos terei que fazer uma adequação”, destaca Sandoval.

 

Pouco afetado - A Austro explica que com a Resolução nº 4.604 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que alterou a Resolução nº 3922, algumas alterações já foram feitas na carteira da gestora e papéis de oferta 476 deixaram de fazer parte do portfólio da gestora. “A partir da Resolução alteramos o perfil de produtos para institucionais e os novos produtos só adquirem ativos pela oferta 400”, diz Cesar Leite, diretor operacional da Austro Capital. “Também passamos a focar mais em produtos de liquidez”, diz.

Segundo Leite, “entendo que o mercado possa ser afetado, talvez alguns gestores que tinham pretensão de alocar em determinados ativos sejam afetados, mas no nosso planejamento nada muda”. Segundo ele, a Austro possui uma carteira de 50 clientes RPPS, em sua maioria localizados no Rio Grande do Sul, oferecendo fundos de renda fixa e de ações. A gestora planeja entrar ainda mais no mercado de regimes próprios com dois fundos multimercados. “Vemos que os RPPS querem diversificar as carteiras e os fundos multimercados têm bastante procura. O lançamento dos fundos deve ocorrer no início do ano que vem”, explica Cesar Leite.

Algumas assets procuradas pela reportagem destacaram que já não trabalham com esse tipo de oferta, por isso a mudança não impacta a atuação junto aos RPPS, como é o caso da Austro e da ARX Investimentos.

Santander zera taxa de carregamento de produtos de previdência

O Santander anunciou nesta quinta-feira, 6 de setembro, o fim da cobrança da taxa de carregamento – percentual pago pelos investidores na aplicação ou resgate dos recursos – de todos seus produtos de previdência, para todos os clientes. A decisão vale tanto para investidores que já têm recursos com o banco quanto para novos aplicadores. “A taxa de carregamento sempre foi uma das mais criticadas pelo mercado, principalmente porque não é cobrada em qualquer outra modalidade de investimentos. Com a isenção, queremos aproximar o produto do público em geral e consolidá-lo como uma excelente solução de investimento de longo prazo”, afirma o diretor de Investimentos do Santander, Gilberto Abreu, em comunicado.

Mesmo com bons retornos em julho, RPPS seguem distantes da meta atuarial no acumulado do ano

FigueiredoJoaoCarlosO mês de julho trouxe bons retornos para os institutos de Previdência Municipais, mas os resultados acumulados nos primeiros sete meses do ano ainda estão contaminados pelas perdas de maio e seguem negativos. É o caso do Instituto de Previdência do Município de Jundiaí (Iprejun), que fechou julho com rentabilidade de 2,64% - 1,8% acima da meta atuarial, mas no acumulado até julho o resultado de 5,15% ainda está 1,35% abaixo da meta. Outro que conseguiu bons resultados em julho foi o Instituto de Previdência dos Servidores de Joinville (Ipreville), fechando o mês com rentabilidade de 2,16% - 1,4% acima da meta mensal, mas no acumulado do ano ainda está 2,61% abaixo da meta.

 

Em maio, o Iprejun perdeu 3,08% do seu patrimônio líquido, que girava em torno de R$ 1,5 bilhão. “Dificilmente vamos bater a meta atuarial do ano. O cenário não é favorável”, admitiu João Carlos Figueiredo, presidente do Iprejun. Mas, segundo ele, o instituto conta com bons resultados anteriores “que trazem um conforto para o exercício atual”. Em 2017, o Iprejun atingiu retornos de 13,43% frente à meta de 9,12%.

Com quase 28% alocado em renda variável, sendo 18,5% em fundos de ações, o Ipreville tem apostado nesse segmento em busca de maiores retornos que compensem a Selic em baixa. “Apesar do cenário de incerteza deste ano, as empresas possuem potencial de crescimento e a Bolsa ainda pode alcançar patamares interessantes em médio/longo prazo”, disse o presidente do Iprejun.

Figueiredo não ignora que a incerteza eleitoral também pode atrapalhar o desempenho da  renda variável, mas acredita que o cenário vai se estabilizar no ano que vem, no pós-eleições, “pois a maioria dos candidatos [à presidência] já fala, de alguma forma, na necessidade de reformas”. Segundo ele, “para os [RPPS] que já estão expostos na renda variável é hora de aguardar a passagem desse período de instabilidade e para os que não possuem, talvez seja a oportunidade de adquirir ativos a um bom preço, e realizar ganhos no futuro”, analisa.

Já o Instituto de Previdência dos Servidores de Joinville (Ipreville), que com a rentabilidade de 2,16% obtida em julho chegou a R$ 2,21 bilhões de patrimônio líquido, aposta numa gestão ativa da carteira de renda fixa para buscar resultados neste ano. O instituto aloca mais de 90% dos recursos em renda fixa.

Para o presidente do Ipreville, Sérgio Luiz Miers, “vai ser muito difícil” bater a meta atuarial neste ano. “O cenário está muito adverso por conta do ingrediente político”. Miers disse que a volatilidade já era esperada neste ano e que por isso a aposta maior da entidade foi em renda fixa. “Renda fixa é questão de movimentar: ou você alonga ou encurta a carteira.”

 

Embora na estratégia do Ipreville predomine ativos de renda fixa, o instituto deve aumentar os investimentos em renda variável, conta Miers, que avalia que “o momento é de oportunidade”. De acordo com ele, “estamos aproveitando os estresses pontuais. Uma vez passado o cenário eleitoral, quando se saberá quem será o presidente, a Bolsa vai subir muito rápido e aqueles que não estiverem alocados vão perder essa oportunidade”, afirma.

CVM autoriza IRB a atuar como gestora de recursos

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou o IRB-Brasil Resseguros a atuar como gestora de recursos por meio da IRB Asset Management. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União da última segunda-feira, 17 de julho. O IRB divulgou a criação da asset no final do ano passado. O objetivo é aumentar a eficiência da gestão de ativos financeiros da própria companhia, além de explorar novas fontes de receitas provenientes de serviços de gestão de recursos de terceiros.

Greve dos caminhoneiros e indefinição eleitoral impactam negativamente os resultados dos RPPS

seprevNo Seprev, regime próprio do município de Indaiatuba, a rentabilidade da carteira de investimentos foi de 4,58% no acumulado do ano até abril, para uma meta atuarial de 2,68% no período. No acumulado até maio, com o início da greve dos caminhoneiros, a rentabilidade caiu para 2,37% enquanto a meta subiu para 3,60%. E no acumulado até junho a queda acentuou-se, somando 2,19% de rentabilidade e 5,62% de meta no período. “Não me lembro de um primeiro semestre tão ruim como esse", afirma o diretor financeiro do Seprev, Marcos Barce, há 15 anos no cargo.

Com um patrimônio de R$ 1,19 bilhão e cerca de cinco mil segurados, o Serprev estuda a redução da sua meta atuarial a partir de 2019. Segundo Barce, o processo de revisão das metas é necessário diante do quadro que se desenhou nos últimos dois meses e da expectativa de que os juros não voltarão aos elevados patamares de alguns anos atrás. “Em 2018 dificilmente conseguiremos bater a meta, nosso objetivo maior é proteger os recursos existentes, sem grandes movimentações da carteira, para evitar uma perda”, constata o especialista.

Barce pontua, contudo, que a mudança nas metas não é um movimento simples, com uma série de reflexos em decorrência dessa decisão. “Ao reduzir a meta o RPPS admite que os recursos oriundos do retorno dos investimentos serão menores, com uma provável necessidade de aumento das contribuições dos servidores”.

Embora reconheça a dificuldade da maior parte dos institutos em bater suas metas em 2018, o consultor da Par Investimentos, Renan Calamia, se mostra cético quanto a possibilidade de um movimento maciço de redução das metas por parte dos RPPS a partir de 2019. “Tecnicamente, reduzir a meta seria o correto por conta do cenário para os próximos anos, mas o RPPS tem um problema ao tomar essa decisão porque ela implica em um aumento do custo atuarial para o instituto e o ente federativo”.

 

Investimentos - A carteira do Seprev está majoritariamente alocada em renda fixa, segmento que responde por cerca de 90% dos recursos do instituto. Os 10% restantes estão divididos entre renda variável e multimercados, sendo que as ações representam aproximadamente 6,5% do total. Mas diante das inúmeras incertezas à frente, aumentar as alocações em renda variável não é uma opção que tem sido considerada pelo Seprev. “Não vamos aumentar a exposição em bolsa, mas também não vamos zerar para não perder uma eventual recuperação desse mercado”.

As principais alocações do RPPS estão em fundos de gestão ativa de renda fixa. “Temos privilegiado fundos que não tenham tanta volatilidade, que não sejam tão conservadores quanto os DI e nem tão agressivos como os fundos de ações”, pondera o diretor do Seprev. Segundo ele, a proximidade das eleições e a falta de definições mais claras sobre os candidatos promete fortes oscilações nos preços dos ativos nos próximos meses.

Dilema - No Instituto de Previdência e Assistência Municipal (Ipam) de Caxias do Sul, com Patrimônio Líquido (PL) de aproximadamente R$ 391 milhões, o movimento em busca de risco teve início no começo de 2018, com o aumento da exposição à renda variável, que passou de 5,2% para 10,8%, e em fundos multimercados, de 1,51% para 4,57%.

Essa estratégia, contudo, não tem se traduzido em resultados positivos para o RPPS de Caixas, que assim como seus pares não conseguiu o rendimento suficiente para fazer frente à meta atuarial no primeiro semestre. De janeiro a junho a rentabilidade do portfólio do Ipam foi de 1,71%, que representa só 30% da meta de 5,62% para o período. “Desde a queda da Selic temos sofrido na questão dos rendimentos”, afirma André Wiethaus, presidente do RPPS.

Para o segundo semestre, pondera o dirigente, o instituto vive um dilema: por um lado precisa manter a busca por risco para compensar o fraco desempenho do primeiro semestre, mas por outro precisa também de certa cautela diante da volatilidade esperada por conta do pleito presidencial.

O presidente do RPPS explica que por determinação do Tribunal de Contas do Estado os institutos de previdência do Rio Grande do Sul só podem trabalhar com bancos públicos. Por essa razão, o Ipam tem em sua carteira somente fundos do Banco do Brasil, Caixa, e Banrisul.

Bolsa – No Instituto de Previdência Municipal de Praia Grande (IPMPG), a presidente Regina Mainente afirma que a carteira de investimentos vinha obtendo um bom rendimento até meados de abril, com retorno 66% superior à meta do período. Com a mudança de cenário após a greve dos caminhoneiros os ganhos minguaram e a rentabilidade acumulada no primeiro semestre ficou em 1,06% para uma meta de 5,55% no período. “Em  maio, com o desabastecimento do mercado e o recuo no crescimento do PIB, perdemos 120% da rentabilidade”.

Apesar do mercado de ações, que representa 11% dos recursos do IPMPG, ter sido um dos principais responsáveis pela fraca rentabilidade, Regina nota que, para conseguir bater a meta, “vamos  ter que nos arriscar ainda mais em renda variável”.

Além da bolsa, a dirigente cita os fundos de BDRs, que tiveram um rendimento positivo, com valorização próxima de 13% no primeiro semestre, como outra alternativa que deve contribuir para a recuperação dos investimentos do instituto nos próximos meses. “Uma vantagem de investir em BDRs é a possibilidade de diversificação dos investimentos, aplicando de forma indireta em ações estrangeiras sem a necessidade de fazer operações de câmbio ou possuir contas de custódia no exterior”, afirma Regina. Ela também cita os fundos de ações de valor como outra opção interessante nesse momento econômico.

Conservadorismo – No instituto de Santa Fé do Sul, o SantaFéPrev, o enredo não tem sido muito diferente em relação aos seus pares – de janeiro a junho o retorno alcançado pela carteira de investimentos foi de 1,64% contra uma meta para o período de 5,59%. “Dadas as quedas nos retornos das aplicações em IMA, o desempenho não deve ser motivo para comemorações”, afirma o presidente do RPPS, Ronaldo Salvini.

O dirigente lembra ainda que no início do ano as avaliações de consultores indicavam que as aplicações em renda variável teriam impacto positivo em 2018, “o que não está ocorrendo, principalmente na estratégia de small caps, que caiu quase 10% no primeiro semestre”.

Diante desse cenário, o dirigente pontua que o SantaFéPrev vai se manter bastante conservador em suas aplicações, sem pretensão de realizar movimentações em sua carteira de investimentos no segundo semestre. “Nossas movimentações financeiras na indústria de fundos são feitas com muita cautela para que o patrimônio seja preservado”.