Gestão de recursos

Investimentos terceirizados crescem quase 11% em 6 meses

Edição 17

Estudo analisa ativos sob gestão de 54 gestores que operam com os institutos. Juntos, eles somam investimento de R$ 132 bilhões, um volume que representa crescimento de quase 11% em seis meses e de mais de 15% em doze meses.

Investimentos dos RPPS (em pdf)

Os 10 Maiores Gestores em Recursos de RPPS (em pdf)

Os 10 Gestores Mais Focados em Recursos de RPPS (em pdf)

Os 10 Gestores de Recursos de RPPS com Maior Crescimento em 6 Meses (em pdf)

Os 10 Gestores de Recursos de RPPS com Maior Crescimento em 12 Meses (em pdf)

Ranking (em pdf)

Os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) terceirizavam, em 30 de junho de 2017, recursos de investimento da ordem de R$ 132 bilhões, segundo levantamento feito pela revista Investidor Institucional RPPS. Esses recursos estavam divididos entre 54 gestoras, embora as duas maiores concentrassem na data nada menos de 82,80% do total, somando R$ 109,30 bilhões em investimentos desses regimes previdenciários.
A Caixa, a maior gestora de recursos desses regimes, concentrava sozinha R$ 57,71 bilhões ao final de junho último, representando 43,72% da carteira total. Em segundo lugar vem a BB DTVM, com R$ 51,59 bilhões em recursos, representando 39,08% do total desses regimes. “A Caixa já tem como clientes praticamente todos os RPPS do país”, afirma o gerente nacional de investidores corporativos da Caixa, Daniel Sandoval.
Até alguns anos atrás, os Tribunais de Contas não aprovavam investimentos dos RPPS em bancos privados, por entenderem que a legislação, ao dizer que os investimento dos regimes próprios deveriam ser investidos através de bancos oficiais, referia-se a bancos públicos. O setor privado teve que brigar bastante para demonstrar que “oficiais” eram todos os bancos reconhecidos pelo Banco Central e não apenas os bancos públicos, e nos últimos anos quase todos os TC assimilaram essa interpretação e poucos ainda mantém o entendimento restritivo. De qualquer forma, isso explica o porquê da concentração dos investimentos dos RPPS na Caixa e BB DTVM.
As aplicações dos RPPS na Caixa cresceram 11,35% em seis meses e 19,03% em 12 meses, enquanto na BB DTVM o crescimento foi de 13,10% e 17,13%, respectivamente. Segundo Sandoval, esse desempenho foi puxado principalmente por aplicações em renda fixa, uma alocação que foi beneficiada pelo fechamento das taxas de juros diante da queda da inflação e do ritmo fraco de retomada da atividade. Ainda de acordo com o especialista da Caixa, o fechamento das taxas ajudou na rentabilidade dos institutos, que em média tem posição em pré-fixados e em índices de preços.

Alterações na 3.922 – Sobre as propostas de mudança da Resolução 3.922, que reduz as possibilidades de investimentos dos RPPS em estruturados, Sandoval diz que esse debate tende a manter os institutos em certo compasso de espera, principalmente no segmento de estruturados e mesmo no de ações, no aguardo das eventuais alterações para poderem então se posicionar de maneira mais convicta no mercado. “A tendência é que a nova resolução seja mais restritiva. O mercado tem interagido bastante com o regulador para que essa proteção que estão querendo dar aos recursos dos RPPS seja de uma forma que não puna o mercado e nem o investidor”.
Para Bradesco, Itaú e Santander, os três gestores privados de maior relevância no ranking dos 10 maiores gestores de recursos dos RPPS, a limitação dos investimentos estruturados defendida pela subsecretaria de RPPS não deve ser tão dura, até porque esses bancos operam fortemente com fundos de renda fixa e de ações que não serão afetados. O maior impacto será realmente para os gestores independentes, que operam com produtos estruturados, principalmente FIDCs abertos (ver matéria na página 20).