Gestão de recursos

Funpresp estuda diversificar investimentos de contribuintes de acordo com faixa etária

PenaRicardoFunprespA Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp) estuda oferecer a partir do ano que vem quatro perfis de investimento relacionados à idade do contribuinte. A ideia, segundo o diretor-presidente da fundação, Ricardo Pena, é dar oportunidade aos servidores mais jovens de aumentar a rentabilidade por meio de aplicações mais tolerantes ao risco sem que os contribuintes mais velhos fiquem expostos. De acordo com Pena, a proposta, que foi elaborada junto às consultorias InBehavior e Luz Previdência, já está sendo debatida nos conselhos da Funpresp. “A intenção é aprovar neste ano para que em 2019 o sistema já esteja funcionando”, afirmou.

Na proposta, a diferença entre os perfis está no percentual alocado em duas carteiras que serão criadas pela fundação: a “Preservação”, que busca manter o poder de compra, e a “Performance”, com mais ativos de risco e possibilidade de maiores retornos.
O perfil mais agressivo deve ser recomendado aos servidores com até 40 anos e contar com até 40% dos investimentos na carteira Performance. Já o mais conservador deve ser destinado aos contribuintes com mais de 60 anos e ter toda a aplicação no fundo Preservação.
Caso a proposta seja aprovada, o contribuinte será colocado automaticamente no perfil mais recomendado para a sua idade. A transferência de recursos para outro perfil deve permitida apenas uma vez por ano e sempre na data em que o servidor fizer aniversário. “Isso é para dar previsibilidade à gestão das carteiras e evitar ‘o efeito manada’ caso a bolsa suba ou caia de repente”, disse Pena
Investimentos
Maior fundo de pensão de servidores públicos do Brasil, a Funpresp contava, em maio, com R$ 919 milhões de patrimônio. Desse montante, 92,63% era aplicado em títulos públicos e apenas 2,5% em ações. Com a oferta de perfis mais voltados à renda variável, a expectativa do presidente Ricardo Pena é que essa quantia chegue até 30% do total da carteira de investimento.
Com isso, Pena espera também ampliar o número de empresas que fazem a gestão dos recursos da Funpresp. Atualmente, a gestão terceirizada é responsável por 32% dos investimentos e 100% das aplicações em renda variável. “A ideia é contratar gestores dedicados, especializados em renda fixa ou em renda variável”, afirmou
Novos entes
Outra mudança para qual a Funpresp se prepara é a possibilidade de agregar novos entes. Mas, para isso, é necessário que o projeto de lei (PL) 6088/2016 seja aprovado pelas duas casas legislativas federais. O PL, que desde setembro de 2016 tramita na Câmara dos Deputados, precisa passar pelas Comissões de Finanças e Tributação (CFT) e de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC) antes de ser enviado para o Senado.
Enquanto a Funpresp aguarda a aprovação do PL, fundos de pensão estaduais, como os de São Paulo, Bahia e Goiás, já largaram na busca por entes federativos e municípios interessados em aderir a um regime complementar já estruturado.
Sem poder firmar compromissos de adesão com estados e municípios, Ricardo Pena disse que já está em tratativas com possíveis interessados. Contudo, disse não ver clima de concorrência entre as previdências complementares na busca por entes. “Se a instituição estiver preparada para oferecer o serviço, não vejo mal. Acho positivo, sobretudo, porque significa mais opções para o ente o para os servidores. Uma boa iniciativa”.