Gestão de recursos

Mesmo com bons retornos em julho, RPPS seguem distantes da meta atuarial no acumulado do ano

FigueiredoJoaoCarlosO mês de julho trouxe bons retornos para os institutos de Previdência Municipais, mas os resultados acumulados nos primeiros sete meses do ano ainda estão contaminados pelas perdas de maio e seguem negativos. É o caso do Instituto de Previdência do Município de Jundiaí (Iprejun), que fechou julho com rentabilidade de 2,64% - 1,8% acima da meta atuarial, mas no acumulado até julho o resultado de 5,15% ainda está 1,35% abaixo da meta. Outro que conseguiu bons resultados em julho foi o Instituto de Previdência dos Servidores de Joinville (Ipreville), fechando o mês com rentabilidade de 2,16% - 1,4% acima da meta mensal, mas no acumulado do ano ainda está 2,61% abaixo da meta.

 

Em maio, o Iprejun perdeu 3,08% do seu patrimônio líquido, que girava em torno de R$ 1,5 bilhão. “Dificilmente vamos bater a meta atuarial do ano. O cenário não é favorável”, admitiu João Carlos Figueiredo, presidente do Iprejun. Mas, segundo ele, o instituto conta com bons resultados anteriores “que trazem um conforto para o exercício atual”. Em 2017, o Iprejun atingiu retornos de 13,43% frente à meta de 9,12%.

Com quase 28% alocado em renda variável, sendo 18,5% em fundos de ações, o Ipreville tem apostado nesse segmento em busca de maiores retornos que compensem a Selic em baixa. “Apesar do cenário de incerteza deste ano, as empresas possuem potencial de crescimento e a Bolsa ainda pode alcançar patamares interessantes em médio/longo prazo”, disse o presidente do Iprejun.

Figueiredo não ignora que a incerteza eleitoral também pode atrapalhar o desempenho da  renda variável, mas acredita que o cenário vai se estabilizar no ano que vem, no pós-eleições, “pois a maioria dos candidatos [à presidência] já fala, de alguma forma, na necessidade de reformas”. Segundo ele, “para os [RPPS] que já estão expostos na renda variável é hora de aguardar a passagem desse período de instabilidade e para os que não possuem, talvez seja a oportunidade de adquirir ativos a um bom preço, e realizar ganhos no futuro”, analisa.

Já o Instituto de Previdência dos Servidores de Joinville (Ipreville), que com a rentabilidade de 2,16% obtida em julho chegou a R$ 2,21 bilhões de patrimônio líquido, aposta numa gestão ativa da carteira de renda fixa para buscar resultados neste ano. O instituto aloca mais de 90% dos recursos em renda fixa.

Para o presidente do Ipreville, Sérgio Luiz Miers, “vai ser muito difícil” bater a meta atuarial neste ano. “O cenário está muito adverso por conta do ingrediente político”. Miers disse que a volatilidade já era esperada neste ano e que por isso a aposta maior da entidade foi em renda fixa. “Renda fixa é questão de movimentar: ou você alonga ou encurta a carteira.”

 

Embora na estratégia do Ipreville predomine ativos de renda fixa, o instituto deve aumentar os investimentos em renda variável, conta Miers, que avalia que “o momento é de oportunidade”. De acordo com ele, “estamos aproveitando os estresses pontuais. Uma vez passado o cenário eleitoral, quando se saberá quem será o presidente, a Bolsa vai subir muito rápido e aqueles que não estiverem alocados vão perder essa oportunidade”, afirma.