Santander Asset elogia Resolução 4.695 e se prepara para ofertar fundos no exterior aos RPPS

Andre CobianchiApesar das controvérsias criadas pela Resolução 4.695 do Conselho Monetário Nacional, alterando a Resolução 3922, algumas instituições estão vendo benefícios com as novas regras que ampliaram limites de aplicações em ativos de mais risco e passaram a permitir investimentos em novas classes, como alocações no exterior. Uma delas é a Santander Asset Management, que destaca que liberar a classe de investimento no exterior aos regimes próprios representa um avanço em direção à equiparação com os fundos de pensão.

Santander Asset prepara fundo de crédito privado de América Latina para institucionais

A Santander Asset Management deve lançar até o início do segundo semestre de 2018 um novo fundo de investimento no exterior voltado para clientes institucionais, com hedge cambial, que tem como foco alocar recursos em títulos privados de empresas da América Latina. A estratégia globalmente gere cerca de US$ 840 milhões. O fundo foi lançado localmente em setembro do ano passado, mas por enquanto é acessível apenas para os investidores private do banco. “Para obter mais retorno não existe milagre, os investidores terão de tomar mais risco”, disse Miguel Ferreira, CEO da gestora do Santander, durante evento em São Paulo com clientes nesta sexta-feira, 4 de maio. 

Segundo Ferreira, um primeiro movimento dos agentes em busca de mais retorno já foi observado com a migração da renda fixa para renda variável e multimercados, e o executivo prevê que o próximo passo deve ser o aumento da alocação internacional. “Ainda não aconteceu de forma expressiva, mas acredito que vai acontecer a migração para o exterior”.

O CEO da Santander Asset destacou também a liquidez do mercado de crédito privado na América Latina, que passou de um estoque de US$ 165 bilhões em 2009 para os atuais US$ 585 bilhões. “Do total de bonds de mercados emergentes, 1/3 está na América Latina”, afirmou Ferreira, que falou ainda que a média diária de negociação de títulos privados, que no Brasil é de US$ 57 milhões, alcança US$ 2,6 bilhões na América Latina, o que facilita as transações no mercado secundário em função da liquidez.