Investimentos no exterior

Santander Asset elogia Resolução 4.695 e se prepara para ofertar fundos no exterior aos RPPS

Andre CobianchiApesar das controvérsias criadas pela Resolução 4.695 do Conselho Monetário Nacional, alterando a Resolução 3922, algumas instituições estão vendo benefícios com as novas regras que ampliaram limites de aplicações em ativos de mais risco e passaram a permitir investimentos em novas classes, como alocações no exterior. Uma delas é a Santander Asset Management, que destaca que liberar a classe de investimento no exterior aos regimes próprios representa um avanço em direção à equiparação com os fundos de pensão. Segundo o superintendente comercial da Santander Asset Management, André Cobianchi, essa classe de ativos apresenta ótimas oportunidades no médio e longo prazo.

Ainda de acordo com Cobianchi, a partir das novas regras criadas pela 4.695 a gestora passará a oferecer aos RPPS produtos que já fazem parte da grade dos fundos de pensão, principalmente no segmento de renda variável global. “Deve ser o primeiro foco pro segmento de RPPS ao começar a investir no exterior. Depois, isso deve se ampliar para renda fixa e multimercado, provavelmente com proteção cambial”. Segundo ele, a ideia é que sejam oferecidos os mesmos fundos, pois a sinergia entre esses investidores é grande, ressalta Cobianchi. “A não ser que o público de RPPS venha com um pedido específico, mas acho que eles tendem a olhar renda da variável global como diversificador da renda variável local”.

O movimento em direção a esse produtos, contudo, deve ser gradual, assim como ocorreu com os fundos de pensão. Cobianchi destaca que por ser uma classe nova, que os regimes próprios não conhecem, inicialmente os investimentos devem vir em valores menores. “Os institutos devem ganhar confiança em relação à performance, entender a variação cambial; tudo isso demora um tempo até que os RPPS consigam se familiarizar e fazer investimentos com volumes maiores, que devem ocorrer de forma gradual e espaçada”.

Pró-Gestão - André Cobianchi destaca que a exigência que os RPPS invistam mais nesta classes de maior risco na medida que se certificam no Pró-Gestão também é importante, mas deve tornar o processo de investimento no exterior mais lento. A norma cria limites adicionais aos institutos que tiverem a certificação no programa. “A realidade é que poucos RPPS são certificados. Isso deve crescer com a  implementação dessa norma, forçando os regimes próprios a buscarem o nível máximo para poder ampliar seus limites”. Por conta dessas limitações, a asset do Santander deve demorar um pouco mais para iniciar a oferta de novos produtos a esse público. “Tão logo que a gente tenha oportunidade, vamos adaptar os regulamentos de nosso fundos para receber recursos dos RPPS, mas hoje, o fato é que poucos institutos poderão usufruir desses produtos”, ressalta Cobianchi.