Regimes Próprios

RPPS de Belo Horizonte adota política mais agressiva para atingir nova meta atuarial

Gleison Pereira de SouzaO regime próprio de previdência de Belo Horizonte adotará estratégias mais agressivas para atingir a meta atuarial estabelecida para 2019. O RPPS já vem assumindo mais risco em sua carteira desde janeiro passado, direcionando uma parcela pequena de recursos para alocação em renda variável , mas como a meta atuarial irá aumentar a partir do ano que vem o instituto também quer ampliar suas posições de risco. De acordo com o subsecretário de gestão previdenciária do RPPS, Gleison Souza, o instituto fez uma revisão nas suas premissas atuariais que elevou a meta atuarial de IPCA + 5,10% este ano para IPCA +  5,43% em 2019.

Souza explica que, uma análise das séries históricas do instituto mudou a perspectiva de déficit do regime próprio. Uma das premissas que mudou, para positivo, é que até então consideramos que 100% dos servidores de Belo Horizonte que falecem geram pensão. Mas olhando para a nossa série histórica, vimos que apenas 60% dos falecimentos geram pensão. Outras revisões a partir das séries históricas, entretanto, geraram impacto negativo, como a atualização do prazo que o servidor demora para se aposentar ao se tornar elegível, que passou de 3 para 1 ano. “Entre ganhos e perdas, o resultado foi uma meta atuarial mais agressiva para evitar que o nosso déficit atuarial aumente”, diz Souza.

 

Investimentos - Diante da nova meta atuarial, o RPPS trabalha com a perspectiva de ampliar a diversificação da carteira, o que já foi iniciado em janeiro deste ano com renda variável. “Hoje, aplicamos apenas 1,25% dos nosso recursos em bolsa de valores, mas há uma recomendação para elevar esse percentual para 2% em 2019”, explica Gleison Souza. Ao longo de 2018, o instituto de Belo Horizonte se deparou com várias possibilidades de aquisição de títulos públicos com alto retorno. “Trabalhamos com a meta atuarial de IPCA + 5,10% e comprávamos títulos públicos com rendimento a 5,93%. Mas como não vamos mais conseguir comprar títulos com prêmios tão altos, teremos que ser mais agressivos em renda variável”, complementa.

Além das aplicações em bolsa, o instituto seguirá monitorando oportunidades em outros ativos, como títulos privados, fundos de investimento em participações, crédito privado, fundos de direitos creditórios e fundos imobiliários. “Vamos começar a monitorar outras oportunidades de investimento”, diz o assessor de investimentos e estudos atuariais da subsecretaria de gestão previdenciária, Lucas José Villas Boas Givisiez. “Quando o país passa por uma mudança estrutural a ponto de inverter a relação do retorno dos títulos públicos para uma ótica mais pró-mercado, isso dá retorno a títulos privados e renda variável, e estamos preparados para investir”, ressalta.

O RPPS de Belo Horizonte acumula uma rentabilidade de 4,30% acima da sua meta atuarial até setembro último, informa o subsecretário Gleison Souza.