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Evolução ainda positiva

Alenir Romanello, da CaixaJoaquim Levy, da BramFundos de PensãoPrevidência AbertaRPPSSeguradorasCapitalizaçãoGovernos e Políticas PúblicasInstituições Sociais / EndowmentsOutras FinanceirasInvestidores EstrangeirosCorporateMiddle MarketPrivateMiddle PrivateVarejoEdição 251

BB DTVM lidera em fundos de pensão, seguida pela Itaú Asset;  enquanto a Caixa Econômica assume primeiro lugar em regimes próprios de previdência

 

Oprimeiro semestre de 2013 não foi um período fácil para os fundos de pensão e os regimes próprios de previdência. A alta volatilidade na renda fixa e a fraca performance da bolsa brasileira complicaram o desempenho das carteiras de investimentos dos institucionais no período. Ainda assim, a evolução do montante de recursos foi positiva no caso dos fundos de pensão, com crescimento de 4,39% em seis meses e 11,49% em 12 meses – fechando em R$ 358,63 bilhões. Para os regimes próprios, a evolução foi mínima no semestre, mas ainda positiva, de 1,49% em seis meses, e de 14,75% em 12 meses – fechando em R$ 74,38 bilhões. Os números consideram a rentabilidade e os novos recursos e claramente apontam para o fraco desempenho abaixo das metas dos fundos de previdência.
Outros tipos de clientes também se depararam com as dificuldades do mercado financeiro, mas registraram maior evolução no volume de recursos sob gestão no primeiro semestre do ano. Foram os casos dos segmentos corporate, private e middle private. Por outro lado, as assets viram os recursos de clientes de varejo e estrangeiros registrarem redução no primeiro semestre de 2013, ainda que no período de 12 meses as variações dos montantes tenham permanecido positivas.
A liderança com os fundos de pensão continua nas mãos da BB DTVM, seguida pela Itaú Asset Management na segunda posição. Na sequência aparecem a Caixa Econômica, a Bram e a Santander Asset Management. O destaque ficou com a asset da Caixa Econômica que cresceu fortemente nos últimos 12 meses com os clientes fundos de pensão. O motivo principal foi a migração dos recursos da Funcef, que é o fundo de pensão dos próprios funcionários do banco, para a gestão da asset da Caixa. Mas além dos recursos de seu fundo de pensão, a Caixa registrou também o ingresso de investimentos de outras fundações como a Petros, Geap, Prece, Cageprev entre outras.
“Estamos recebendo os recursos da Funcef para realizar a gestão tanto em fundos abertos quanto exclusivos. Mas a diversificação de nossos produtos e o ganho de escala tem atraído também outras fundações”, diz Alenir Romanello, diretora executiva da área de gestão de recursos de terceiros da Caixa.
A atuação da asset da Caixa era mais notada no segmento de regimes próprios de previdência, porém, com a criação de uma grade mais ampla de fundos, muitos dos quais com uma gestão mais ativa e diferenciada, o gestor começou a atrair os recursos também das fundações. A Caixa passou a reforçar nos últimos anos os produtos de renda variável e fundos estruturados voltados para o segmento de institucionais. Neste segmento, foram lançados diversos fundos imobiliários e de participações voltados para os institutos de previdência.
A Caixa veio aumentando a captação entre os RPPS e disputando palmo a palmo o mercado com sua principal concorrente, a BB DTVM. No atual ranking Top Asset é a primeira vez nos últimos anos que a asset da Caixa assume a liderança entre os institutos dos servidores – alcançando R$ 26,93 bilhões e crescimento de 25,17% em 12 meses. “O cenário complicado da renda fixa a partir do segundo trimestre do ano veio impulsionando uma maior diversificação das aplicações dos regimes próprios”, diz Alenir Romanello. Ela explica que os institutos estão migrando dos fundos IMA para outros menos voláteis, de curto prazo ou IRFM. Um outro movimento é a maior entrada em fundos estruturados, como produtos de base imobiliária – Fundos Imobiliários e de Participações.
A diversificação dos produtos da asset da Caixa incluiu também as opções na renda variável. Atualmente são cerca de 40 fundos voltados para o segmento de institucionais. “Procuramos abrir o maior número de opções até em segmentos pouco acessados ainda, como os fundos de ETFs e outro de BDRs”, comenta a diretora executiva da Caixa. O fundo de ETFs começou a captar recursos ainda no final do ano passado e o de BDRs, está em fase de lançamento. “Procuramos estruturar novos produtos com agilidade para não perder o tempo adequado para a captação de recursos”, diz Alenir. A Caixa tem procurado reforçar a equipe de gestão em novos segmentos e quando não há expertise suficiente dentro da casa, tem buscado a realização de parcerias com outras assets. É o caso da parceria com a Vinci Partners em dois fundos de renda variável.
Com a vice-liderança em regimes próprios, a BB DTVM também registrou aumento em 12 meses, de 20,33%, chegando a R$ 26,19 bilhões. Durante o primeiro semestre de 2013, os RPPS, de acordo com o presidente da BB DTVM, Carlos Massaru Takahashi, não deixaram transparecer uma direção clara na qual eles estariam se movendo. “A maior alocação em renda variável tem dado sinais de ser o caminho a ser trilhado pelos regimes próprios no curto prazo. Ainda assim, a tradicional renda fixa, que ganhou atratividade com a subida dos juros e a alta da inflação, também não pode ser descartada”, diz.
A renda variável doméstica, desde que com muita cautela, é uma opção aos institutos dos servidores na visão de Takahashi. “Em ambos os casos, o investimento tem de ser olhado com a perspectiva de prazos mais longos”. Na bolsa brasileira, o executivo entende que a melhor estratégia é adotar a gestão ativa de ações, que fuja dos índices, e que vá em busca de boas oportunidades setoriais. Nesta direção, a BB DTVM abriu aos RPPS a possibilidade de entrarem em um fundo ativo de ações no primeiro semestre deste ano. Para isso, lançou um fundo de ações com o foco em empresas abertas, mas de menor liquidez.
O executivo acredita ainda que os regimes próprios devem buscar cada vez mais os fundos estruturados, como imobiliários e participações, mas lembra que os limites destes segmentos não são muito altos, como ocorre com os fundos de pensão.

 

Fundos de pensão – A liderança com os fundos de pensão continua nas mãos da BB DTVM. O crescimento do volume, porém, não foi dos mais acelerados. A asset do Banco do Brasil fechou o período com R$ 93,22 bilhões em recursos de fundações, com evolução de 2,4% em 12 meses.
Segundo o presidente da BB DTVM, no primeiro semestre os fundos de pensão vinham discutindo formas de diversificação para se adequar à nova realidade dos juros reais em patamares mais baixos. “Com o aumento da volatilidade que aconteceu no mercado doméstico, os fundos aproveitaram para fazer novas alocações em ativos atrelados à inflação, em NTN-Bs, mas não como realocação, já que sair poderia implicar realização de prejuízo”, explica.
Já próximo ao final do primeiro semestre e início do segundo, duas categorias estão merecendo atenção especial dos fundos de pensão, segundo o executivo. Uma delas é o investimento em crédito privado de longo prazo em infraestrutura. São ativos relacionados a projetos de infraestrutura que incluem também as debêntures incentivadas.
Na segunda posição em clientes fundos de pensão aparece a Itaú Asset, com R$ 45,50 bilhões. A gestora do Itaú registrou queda de 5,63% nos recursos deste tipo de cliente em 12 meses. “Os fundos de pensão são investidores que contam com um horizonte mais longo de investimentos. As fundações estão buscando uma gestão mais diferenciada para tentar superar suas necessidades atuariais”, conta Marcello Siniscalchi, diretor de gestão de recursos da Itaú Asset Management.
Os fundos de pensão vinham direcionando boa parte dos recursos para os fundos atrelados à inflação, como os fundos IMA-B, porém, no primeiro semestre do ano, esses produtos sofreram com a volatilidade das taxas de juros dos títulos públicos. A saída para a renda variável também ficou prejudicada por causa do fraco desempenho da bolsa brasileira, por isso, o semestre não foi dos melhores para os institucionais.
Já com outros segmentos de clientes, como o corporate e o private, o Itaú registrou um crescimento expressivo. No segmento corporate, a asset conquistou a liderança, com crescimento de 33,2% em 12 meses. “Nossa carteira de clientes corporate é muito diversificada, são empresas de todos os tipos e tamanhos”, diz o diretor da Itaú Asset. A liderança dos segmentos private e middle private também foram garantidas pela asset do Itaú. A evolução não foi positiva em 12 meses, mas houve uma recuperação no primeiro semestre de 2013. Outras assets bem posicionadas em private foram o BTG Pactual, com a segunda posição, e o Credit Suisse Hedging Griffo, na terceira posição.
Ainda com os clientes corporate, a Bram ficou com a vice-liderança, com R$ 91,13 bilhões. Houve uma redução do volume de recursos na categoria, devido a uma saída de recursos da própria instituição financeira, o Bradesco.

 

Opções no exterior – Já na categoria fundos de pensão, a Bram apresentou uma evolução de 9,03% em 12 meses, resultado considerado positivo em face das dificuldades de desempenho que prejudicou o mercado financeiro na primeira metade do ano. “Estamos oferecendo produtos e mandatos cada vez mais sofisticados para os institucionais tanto na renda fixa quanto na variável”, diz Joaquim Levy, diretor superintendente da Bram. A rentabilidade e o crescimento do fundo de BDRs foram os destaques da asset no primeiro semestre de 2013, mas outros produtos também ganharam relevância no período.
“Temos percebido uma tendência de saída de fundos exclusivos em direção aos fundos condominiais com gestão mais ativa, que ofereçam maior valor agregado”, diz Levy. Com base nessa análise, a asset do Bradesco está reforçando a grade de produtos diferenciados para os fundos de pensão e demais institucionais. Um exemplo, é um fundo de ações de empresas da América Latina (Fundo Latam), que já está aberto, mas que começa a captar recursos dos investidores fundos de pensão a partir do segundo semestre de 2013. “É um 'hermano' do fundo de BDRs, também com estratégia internacional, que estamos começando a apresentar para as fundações, depois de um período inicial de seis meses de existência”, diz Herculano Aníbal Alves, diretor de renda variável da Bram.
Ainda na linha da diversificação, a Bram prepara o lançamento também para os clientes institucionais, um fundo multimercados classificado no segmento de investimento estruturado, de acordo com a Resolução 3792. É um fundo que utiliza estratégias de maior duration e moedas.
A ampliação das opções de fundos da Bram segue a proposta de oferecer a possibilidade de adoção de um mandato com benchmark híbrido. “A ideia é aplicar em vários fundos abertos, alguns que sigam small caps, outros dividendos, outros IBrX e dependendo da situação pode reforçar uma estratégia ou outra. É um degrau acima da diversificação”, explica Levy.
A Bram mantém ainda posição de destaque com os clientes RPPS, na terceira posição. Neste tipo de investidor, há um grupo que se concentra mais nas opções de renda fixa e outro, mais maduro, que começa a diversificar parte da carteira para a renda variável, diz Levy. Na renda variável, a Bram vem recomendando a entrada em fundos de dividendos. Já na renda fixa, a opção que tem mais atraído nos últimos meses são os fundos IRFM.
A Santander Asset Management ficou com a quinta posição com os clientes fundos de pensão, com crescimento de 17,38% em 12 meses. “Temos participado de maior número de processos de seleção de gestores pelas fundações nos últimos meses”, diz Eduardo Castro, superintendente executivo de investimentos da Santander Asset Management. O gestor afirma que tem percebido maior interesse dos fundos de pensão por estratégias de valor, principalmente na renda variável. “Temos percebido maior procura por fundos com gestão desatrelada aos índices IBrX 100 e IBrX 50, que vinham predominando anteriormente”, diz Castro. A busca por diversificação das carteiras das fundações passa também pela entrada em investimentos no exterior. Para tanto, a asset do Santander está lançando seu primeiro fundo de investimentos que pode aplicar 100% dos recursos nos mercados estrangeiros, voltado tanto para clientes private quanto institucionais. A asset planeja também lançar outro fundo, na categoria de multimercados, que pode chegar a até 20% dos ativos no exterior. Neste caso, é um fundo voltado para o private.
Outra asset que deve apostar em produtos com aplicações no exterior é a HSBC Gestão de Recursos. Com a sétima posição no segmento de fundos de pensão (logo atrás da sexta colocada, a Western Asset Management), a gestora do HSBC lançou rencentemente uma família com quatro fundos de investimentos no exterior voltada para clientes private e institucionais. Os novos fundos globais podem oferecer boa aderência junto aos institucionais, em um período no qual as fundações têm buscado novas alternativas de investimento”, diz Alcindo Canto, diretor de distribuição do HSBC.
Da família de fundos, três são de renda variável e um de renda fixa, e todos compram cotas de fundos geridos pelo HSBC no exterior. Os quatro fundos têm hoje aproximadamente R$ 100 milhões, principalmente de clientes middle private. “Nossa estratégia principal é trabalhar os fundos globais junto aos institucionais e, se melhorar a renda variável doméstica, voltar a falar de fundos de valor, small caps”, diz Canto.
A asset do HSBC ficou ainda com posição de destaque com os clientes estrangeiros, na terceira posição (atrás da BB DTVM na segunda colocação). O HSBC registrou crescimento de 8,1% com o volume de recursos dos estrangeiros em 12 meses.
A liderança com os investidores estrangeiros ficou com o BTG Pactual. Apesar das dificuldades de desempenho da bolsa brasileira, os estrangeiros não deixaram de procurar opções no mercado brasileiro. “Percebemos os investidores estrangeiros, assim como private e institucionais, aumentar a demanda por fundos descorrelacionados de índices”, diz Marcelo Flora, sócio responsável pela distribuição do BTG Pactual. A asset ficou também com a oitavo posição com os clientes fundos de pensão, a mesma colocação no segmento de regimes próprios de previdência. “Temos verificado aumento da captação das fundações e regimes próprios em fundos estruturados, principalmente, os de base imobiliária”, diz Flora. Outro fundo que tem captado mais fortemente com os institucionais é o fundo de dividendos da asset. O sócio do BTG Pactual explica que o fundos de ações de dividendos tem se mostrado uma opção adequada para as fundações até o momento. A questão é avaliar as perspectivas daqui pra frente e verificar se a bolsa brasileira vai voltar a performar. Neste caso, convém fortalecer a diversificação em outras estratégias ativas de renda variável, além dos fundos de dividendos.